IA · Conceitos do funcionamento

IA - Como funciona

• Pergunta & resposta (request / response) • Gerações · Estados · Ciclos

Como dito no documento anterior, a IA tem como finalidade fazer um trabalho que anteriormente era feito por um humano. É uma meta ambiciosa, mas um fundamento da IA. Menos que isso não é IA.

O desenvolvimento das IAs segue uma metodologia muito bem definida que possibilita seu funcionamento com a maior taxa de acertos possível e ainda sua adaptação a qualquer atividade que possa ser beneficiada pelo uso da IA.

Importante: nenhuma IA pode garantir que a resposta fornecida seja perfeita ou 100% correta. Ela é a mais acertada conforme os “parâmetros” pelos quais foi ajustada para responder, analisar e pesquisar. Mudanças nas condições da pesquisa podem fazer os resultados não corresponderem exatamente ao esperado.

Importante: podemos criar mecanismos para a IA reconhecer seus próprios erros. Por exemplo: se uma pesquisa deveria retornar um resultado específico e, de repente, está voltando mais de um, a IA pode gerar uma notificação de correção ou executar um auto-ajuste.

Para simplificar, vamos adotar que o mecanismo da IA é um ciclo de pergunta e resposta (como na web: request e response). É um “arredondamento” grosseiro, mas suficiente para a teoria básica desta página.


Gerações da IA

A IA muitas vezes parece muito com os humanos. Como tudo na área, a evolução acontece em gerações e, em cada uma, os recursos aumentam exponencialmente.

Tenha em mente que, comparando uma geração mais antiga com uma mais nova, a anterior parece mais um “rascunho” do que uma IA realmente avançada — o avanço é enorme e não é comparável.

A primeira geração tinha uma interação pequena e um leque de respostas limitado. Por exemplo, atendimento automático em call center.

Em um primeiro momento, a IA enviava opções do tipo “digite 1 para isso, 2 para aquilo” e você precisava responder entre alternativas restritas.

Num segundo momento, com mais possibilidades, a análise da solicitação foi melhorada: a IA “encaixava” a pergunta em uma resposta ou pedia para você reformular quando não entendesse.

A segunda geração representou um avanço: capaz de interagir com humanos de forma natural (escrita ou falada), com Processamento de Linguagem Natural (NLP).

Na prática: em vez de “digite 1 para alterar senha”, você pergunta “como faço para alterar minha senha”.

A terceira geração ampliou geometricamente as aplicações ao incorporar tecnologias conversacionais.

Aqui, a IA não apenas entende a solicitação: ela interpreta o pedido em contexto mais complexo, refinando respostas a partir de novas parametrizações do usuário até alcançar a resposta correta.

Por exemplo se eu pedisse a IA para explicar a Teoria da Relatividade para uma criança ela respondeu:

“Imagine que você está em um ônibus em movimento. Dentro do ônibus, você joga uma bola para cima…”

Até a 3ª geração a IA ainda não passava no Teste de Turing. Note que a IA tem parâmetros para as respostas como não mentir, não enganar, coisas que um humano faria com facilidade. Contudo aqui as LLMS e Agentes começaram a mostrar sua utilidade.

A quarta geração adicionou melhorias significativas no raciocínio, multimodalidade ( a IA pode trabalhar agora com imagens, vídeos,etc.) e a confiabilidade das respostas melhorou muito.

Hoje estamos na quinta geração e nela temos o melhor desempenho em raciocínio, programação, planejamento, contexto longo e uso de ferramentas. Literalmente todas as atividades humanas podem ser, hoje, auxiliadas pelo uso da IA.


Por trás da IA

No começo do desenvolvimento da IA havia o “apoio humano” que respondiam as perguntas que a IA não sabia como responder.

1) Equipe de apoio técnico: ajusta a IA para obter o melhor resultado (técnicos, engenheiros, analistas e especialistas em correção de problemas).

2) Equipe de apoio: responde às perguntas que a IA não consegue e encaminha o problema para a equipe técnica resolver.


Quando a IA não acha a melhor resposta

Se a IA não conseguir achar uma resposta que “encaixe” na solicitação, isso pode acontecer, por exemplo, ao pedir de quem é uma foto.

Se ela não reconhecer, registra a falha em um “histórico de falhas” para que a equipe técnica corrija futuramente. A equipe técnica faz tudo para corrigir, porque o erro tenderá a voltar a ocorrer.

Por padrão, a resposta demora um pouco mais nesses casos, enquanto a equipe analisa e reage.

As soluções mais comuns:

  • ajustar a IA para reconhecer a imagem;
  • criar uma resposta para “imagem não reconhecida”, quando o recurso necessário ainda estiver acima da geração atual.

Componentes do mundo da IA

Agente: a IA que responde sua solicitação. Ex.: chatbot.

Ambiente (Environment): tudo com que a IA precisa interagir: o conjunto de opções para produzir o melhor resultado e as solicitações do usuário. O objetivo é entregar apenas uma resposta: concisa, completa e assertiva.

Canal / canais de acesso: o meio para acessar a IA (site, browser, ou sensores/cabos em carros/robôs).

Sessions and States (Estados): cada iteração com o ambiente é um estado. Se o usuário refina a solicitação, a IA processa de novo e cria um novo state/sessão até chegar na melhor resposta. O texto chama esses estados de “s”.

Actions (Ações): o conjunto de respostas possíveis encontradas pela IA para atender a solicitação.

Ciclo de percepção (diagrama)

Metodologia de comunicação

Primeiro, você entra em contato com a IA (aplicação, site etc.). Para facilitar, chamamos essa IA de AGENTE.

Etapa 1 — Envio da solicitação: uma solicitação parecida com request web (texto, fala ou similar).

Etapa 2 — Análise: em IA, essa análise inicial é chamada de SENSORS, porque atribui pesos para elementos importantes da solicitação.

Depois, a IA envia a resposta aos atuadores (Actuators) que fazem a resposta acontecer no ambiente: mensagem no caso de chatbots, ou ações físicas (direção, aceleração, freio) em robôs/veículos, ou ajuste de dose em contextos médicos.

Perception Action Cycle (ciclo de percepção): a parte que conecta solicitação à resposta, definindo qual é a melhor resposta. É o centro da IA.


Terminologia

Para prosseguirmos, precisamos definir alguns termos usados para descrever o funcionamento da IA.

Termo 1: Completa ou parcialmente Observável

Fully Observable: quando o que o agente sabe é suficiente para tomar a melhor decisão em qualquer momento.

Partially observable: quando não é possível observar todas as possibilidades — é necessário mais tempo/elementos.

Termo 2: Determinístico ou estocástico

Determinístico: condições levam a um desfecho exato sem variação.

Estocástico: incorpora aleatoriedade e reconhece probabilidades de desfechos.

Termo 3: Discreto ou contínuo

Discreto: número finito de opções.

Contínuo: número de opções infinito.

Termo 4: Benignos ou adversários

Benigno: nenhuma opção contraria a escolha da melhor opção.

Adversário: escolhas competem para eliminar a outra (ex.: xadrez).

Termo 5: Resolução do problema (Problem Solving)

Liga a entrada (sensors) à saída (actuators) e elabora a resposta. Refinamentos buscam o melhor resultado com menos custo e mais eficiência.

Termo 6: Estados

Um estado é a situação atual da IA em relação à questão. A cada nova solicitação, um novo ciclo é criado levando em conta o estado atual.

Termo 7: Ciclos

Ciclos são o número de interações. A primeira resposta pode não bastar; então o usuário refina e o processo repete até chegar na resposta correta.


Complexidade do processo e gerenciamento de incertezas

Existem casos fáceis e difíceis: por exemplo, uma placa visível permite escolher o caminho diretamente; com neblina, é necessário uma nova iteração para “ver melhor”.

Em cenários com muitas possibilidades (mapa completo), pode ser preciso ajustar parâmetros e avançar passo a passo.

Gerenciamento das incertezas:

  • Limites dos sensores: a solicitação não é preparada corretamente para a melhor escolha.
  • Adversários: dificultam chegar ao melhor resultado.
  • Ambiente estocástico: todas as opções parecem igualmente plausíveis.

Definição do problema

Toda solicitação segue regras conforme o uso. Básico:

1) Estado inicial (Initial State): ponto de partida do problema.

2) Ações (Actions): passos possíveis para chegar ao resultado desejado (podem mudar por estado/ciclo).

Exemplo do texto: em roteamento, é útil usar uma função de custo (Path Cost) para comparar opções (menor distância). Quando esse parâmetro não está disponível, a resposta pode ser “aceitável” ou insuficiente dependendo do caso.

3) Resultados (Results): após aplicar uma ação no estado, surge um resultado (ou estado novo).

4) Teste de objetivo alcançado (Goal Test): função g(s) que indica se o objetivo foi atingido.

5) Função de custo (Path Cost e Step Cost):

  • PathCost: custo total acumulado até o destino.
  • StepCost: custo de cada ação (de um estado para o próximo).

O caminho para a solução varia conforme o estado; a chave é encontrar o menor número de estados para chegar mais rapidamente à resposta.